terça-feira, 8 de setembro de 2015
Os Persas contados noutra história
Era uma vez um puto. Quando o seu pai faleceu, já não era assim tão puto. Mesmo que o fosse, teria que demonstrar que era já um adulto e teve que assumir a direcção da rede de hipermercados, um autêntico império erigido pelo pai.
Colocavam-se duas questões na cabeça do puto que já não era assim tão puto:
"Serei aquele que herda um império económico e vive da sua gestão à sombra do pai?"
"Ou serei aquele que herda e faz juz a uma linhagem de sucesso, engrandecendo continuamente o bolo?"
O puto que já não era assim tão puto respondeu afirmativamente à segunda questão. Apostou numa rede internacional de telégrafos low-cost. Saiu-se mal. Não contava com uma coisa chamada internet.
Envergonhado, retirou-se desta batalha. Passou a viver nas sombras dos hipermercados, onde se dizia que pairava o fantasma do seu pai. Sim, e sentiu-se estúpido para sempre.
Colocavam-se duas questões na cabeça do puto que já não era assim tão puto:
"Serei aquele que herda um império económico e vive da sua gestão à sombra do pai?"
"Ou serei aquele que herda e faz juz a uma linhagem de sucesso, engrandecendo continuamente o bolo?"
O puto que já não era assim tão puto respondeu afirmativamente à segunda questão. Apostou numa rede internacional de telégrafos low-cost. Saiu-se mal. Não contava com uma coisa chamada internet.
Envergonhado, retirou-se desta batalha. Passou a viver nas sombras dos hipermercados, onde se dizia que pairava o fantasma do seu pai. Sim, e sentiu-se estúpido para sempre.
Os Persas agora a sério
A tragédia de Ésquilo conta-nos a vontade de um império, uma derrota ardilosa e a vitória de uma ideologia.
Trata-se da única peça grega que remete para eventos históricos contemporâneos de quem escreve, tendo sido composta em 472 a.C. e tendo como tema central a batalha de Salamina (480 a.C.), na qual Ésquilo participou como soldado.
Curiosamente, é contada pela facção derrotada - os persas -, aquando do regresso do rei Xerxes a Susa, capital do Império Persa. Xerxes pretendia engrandecer o seu império, como o pai o havia feito. Mais do que o engrandecimento do território, trata-se de colocar luz sobre o seu nome, de modo a sair da sombra do pai - Dario. A Hélade fazia parte desses planos.
Partindo com a maior frota que o mundo conhecido alguma vez havia visto, os persas viram-se encurralados no Helesponto e foram aí derrotados por uma força grega infinitamente menor. Porém, mais do que o heroísmo à laia de David contra Golias, trata-se sobretudo de uma vitória da grandeza. Os gregos, poucos, transportavam a superioridade do seu sistema político - a democracia - contra os persas, muitos, que vinham munidos com a inferior autocracia. A vitória residiu num ardil, é verdade, mas foi acima de tudo a vitória do espírito superior, escrito pelo grego Ésquilo.
Trata-se da única peça grega que remete para eventos históricos contemporâneos de quem escreve, tendo sido composta em 472 a.C. e tendo como tema central a batalha de Salamina (480 a.C.), na qual Ésquilo participou como soldado.
Curiosamente, é contada pela facção derrotada - os persas -, aquando do regresso do rei Xerxes a Susa, capital do Império Persa. Xerxes pretendia engrandecer o seu império, como o pai o havia feito. Mais do que o engrandecimento do território, trata-se de colocar luz sobre o seu nome, de modo a sair da sombra do pai - Dario. A Hélade fazia parte desses planos.
Partindo com a maior frota que o mundo conhecido alguma vez havia visto, os persas viram-se encurralados no Helesponto e foram aí derrotados por uma força grega infinitamente menor. Porém, mais do que o heroísmo à laia de David contra Golias, trata-se sobretudo de uma vitória da grandeza. Os gregos, poucos, transportavam a superioridade do seu sistema político - a democracia - contra os persas, muitos, que vinham munidos com a inferior autocracia. A vitória residiu num ardil, é verdade, mas foi acima de tudo a vitória do espírito superior, escrito pelo grego Ésquilo.
Expressões que abichanam um leitor em Os Persas
Coro
"[Xerxes] confia nos sólidos e duros comandantes das suas forças terrestres e navais, ele que é filho da chuva de ouro, um homem igual aos deuses."
p. 21 vv. 76-80
Corifeu
"Vem a chegar um homem cujo modo de correr denuncia a sua origem persa. Boa ou má, é, portanto, segura a notícia que nos traz."
p. 29 vv. 246-247
Dario
"Mas não é fácil sair dos infernos: os deuses subterrâneos sabem melhor tomar do que largar."
p. 46 vv. 687-688
"[Xerxes] confia nos sólidos e duros comandantes das suas forças terrestres e navais, ele que é filho da chuva de ouro, um homem igual aos deuses."
p. 21 vv. 76-80
Corifeu
"Vem a chegar um homem cujo modo de correr denuncia a sua origem persa. Boa ou má, é, portanto, segura a notícia que nos traz."
p. 29 vv. 246-247
Dario
"Mas não é fácil sair dos infernos: os deuses subterrâneos sabem melhor tomar do que largar."
p. 46 vv. 687-688
Os Persas vão bem com
Sopa
Caldo de arroz, sem sal
Prato Principal
4 Big Macs com caril, para esquecer
Sobremesa
Qualquer cena com bué de chantilly, para esquecer
Bebida
Absinto, para olvidar
Música de acompanhamento
Caldo de arroz, sem sal
Prato Principal
4 Big Macs com caril, para esquecer
Sobremesa
Qualquer cena com bué de chantilly, para esquecer
Bebida
Absinto, para olvidar
Música de acompanhamento
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
A Metamorfose contada noutra história
Certa manhã, ao acordar após sonhos agitados, Pedro C. viu-se na sua cama, metamorfoseado num monstruoso humano. Estava deitado de costas, umas costas tão duras como havia sido a sua cabeça até à noite anterior, e, ao levantar um pouco a sua cabeça, viu pessoas: não estavam diante dele, mas no seu pensamento. Aonde estariam os números, a sua obsessão pública? Tentou picar, esfregar e lavar os olhos, mas as pessoas não o abandonavam. Pior: sentia compaixão por elas; não sabia como, mas sentia-as sofrer e sabia que queria actuar para as salvar.
O que diria a sua família? As pessoas que o abraçaram e que contavam com os seus números, como lhes iria dizer que tinha urgência ajudar estranhos? Será que reparariam que se havia tornado num humano? Teria que romper com a família: com a mãe Ângela, com o pai Dias e com o irmão Paulo. Mas como? Entretanto, esperaria no quarto. Tomaria o pequeno-almoço aí e faltaria ao trabalho. Talvez amanhã isto passasse.
O que diria a sua família? As pessoas que o abraçaram e que contavam com os seus números, como lhes iria dizer que tinha urgência ajudar estranhos? Será que reparariam que se havia tornado num humano? Teria que romper com a família: com a mãe Ângela, com o pai Dias e com o irmão Paulo. Mas como? Entretanto, esperaria no quarto. Tomaria o pequeno-almoço aí e faltaria ao trabalho. Talvez amanhã isto passasse.
A Metamorfose agora a sério
Regressei à Metamorfose dezasseis anos depois. Em 1999, quando o li pela primeira vez era um leitor imaturo. Não conhecia autores, lia anarquicamente, era influenciado por leituras alheias, normalmente por miúdas que me interessavam e que me levavam a ler Paulo Coelho ou Richard Bach, os quais entremeava com Saramago, Orwell e os reis do thriller, Irving Wallace e Frederick Forsyth. Quer isto dizer que Kafka entrou na minha lista ainda na minha adolescência literária; quando achamos que temos opiniões fortes e os livros vêm que cumprir um desígnio de complemento ao nosso ego. E neste contexto, consegui colocar o Alquimista por defronte da Metamorfose. Um homem que acorda e se vê metamorfoseado numa barata - que ridículo!
A felicidade de abandonar a adolescência é não ter medo de crescer e dizer, acima de tudo, "que estupidez do caralho!". Agora, com 36 anos, dei uma segunda oportunidade ao livro, o que não acontecerá com o Alquimista. Normalmente sucede com os livros que guardo que eles vão ficando, nunca abandonam totalmente. Não sou de sublinhar passagens, escrever nas margens, porque escolhi que quero que os livros vivam longe do meu cérebro. Consigo lembrar-me de passagens de livros de que não gostei e o contrário é bem mais frequente. Vivo disso.
A Metamorfose transporta aquele segredo que só os grandes escritores têm: as entrelinhas. Não se trata de mensagens subliminares, apenas do desenho do livro, como aquelas imagens de pontinhos que temos que ligar para encontrar a forma final. E estou nessa fase: de ligar os pontinhos. Passando a barreira pueril da transformação do homem num animal, a obra de Kafka como que aponta para o determinismo humano: para o destino do homem enquanto elemento social. Gregor Samsa, a barata tonta, era a estrutura da família, o pilar que não podia falhar, a bem da não implosão daquela casa. Metamorfoseado, vê-se incapaz de desempenhar o seu papel, e essa é a principal preocupação, daí a questão do porquê estar ausente em todo o livro. Por que razão Gregor Samsa acordou barata? Não interessa. É importante, sim, que ser barata é uma chatice porque impede voltar ao trabalho, obriga o pai a trabalhar e, sobretudo, a irmã de perseguir os seus sonhos.
A felicidade de abandonar a adolescência é não ter medo de crescer e dizer, acima de tudo, "que estupidez do caralho!". Agora, com 36 anos, dei uma segunda oportunidade ao livro, o que não acontecerá com o Alquimista. Normalmente sucede com os livros que guardo que eles vão ficando, nunca abandonam totalmente. Não sou de sublinhar passagens, escrever nas margens, porque escolhi que quero que os livros vivam longe do meu cérebro. Consigo lembrar-me de passagens de livros de que não gostei e o contrário é bem mais frequente. Vivo disso.
A Metamorfose transporta aquele segredo que só os grandes escritores têm: as entrelinhas. Não se trata de mensagens subliminares, apenas do desenho do livro, como aquelas imagens de pontinhos que temos que ligar para encontrar a forma final. E estou nessa fase: de ligar os pontinhos. Passando a barreira pueril da transformação do homem num animal, a obra de Kafka como que aponta para o determinismo humano: para o destino do homem enquanto elemento social. Gregor Samsa, a barata tonta, era a estrutura da família, o pilar que não podia falhar, a bem da não implosão daquela casa. Metamorfoseado, vê-se incapaz de desempenhar o seu papel, e essa é a principal preocupação, daí a questão do porquê estar ausente em todo o livro. Por que razão Gregor Samsa acordou barata? Não interessa. É importante, sim, que ser barata é uma chatice porque impede voltar ao trabalho, obriga o pai a trabalhar e, sobretudo, a irmã de perseguir os seus sonhos.
Expressões que abichanam um leitor em A Metamorfose
"Depois, deixou-se cair contra as costas de uma cadeira que se encontrava próxima, agarrando com o auxílio das suas pequenas patas. Mas, ao mesmo tempo, tinha readquirido o domínio de si próprio, calando-se, porque nessa altura escutava o que o seu chefe tinha a dizer.
- Os senhores porventura perceberam alguma palavra? - perguntava este dirigindo-se aos pais -, ele não estará a tentar fazer troça de nós?"
p. 22
- Os senhores porventura perceberam alguma palavra? - perguntava este dirigindo-se aos pais -, ele não estará a tentar fazer troça de nós?"
p. 22
A Metamorfose vai bem com
Sopa
Sopa de bastões de Nero
Prato principal
Um secador recheado com cotonetes no forno
Sobremesa
Maçã assada no lombo
Bebida
Urina destilada em alecrim
Música de acompanhamento
Sopa de bastões de Nero
Prato principal
Um secador recheado com cotonetes no forno
Sobremesa
Maçã assada no lombo
Bebida
Urina destilada em alecrim
Música de acompanhamento
sábado, 18 de outubro de 2014
Prometeu Acorrentado vai bem com
Sopa
Não tens direito a sopa!
Prato principal
Iscas de cebolada. Tuas, não para ti!
Sobremesa
Querias doces, era? Não há!
Bebida
Quatro gotas de água por dia
Música de acompanhamento
Não tens direito a sopa!
Prato principal
Iscas de cebolada. Tuas, não para ti!
Sobremesa
Querias doces, era? Não há!
Bebida
Quatro gotas de água por dia
Música de acompanhamento
Palavras em Prometeu Acorrentado
Palavras que aprendi em Prometeu Acorrentado:
Embaucador: enganador, aliciador.
Penha: Rochedo, penedo, penhasco; rocha.
Tavão: Género de moscas, da família dos tabanídeos, cuja fêmea pica o homem e o gado, sugando-lhes o sangue; moscão, moscardo.
Palavras que estão presente em Prometeu Acorrentado e que gosto de ver em livros:
Debalde: Que não apresenta resultado; que ocorre em vão; sem utilidade; inutilmente.
Rapaces: Que rouba, rapinante. / Que persegue a presa afincadamente: o abutre é rapace. (Diz-se das aves de rapina.) / Fig. Ávido de lucro: usurário rapace. / O mesmo que rapaz.
Embaucador: enganador, aliciador.
Penha: Rochedo, penedo, penhasco; rocha.
Tavão: Género de moscas, da família dos tabanídeos, cuja fêmea pica o homem e o gado, sugando-lhes o sangue; moscão, moscardo.
Palavras que estão presente em Prometeu Acorrentado e que gosto de ver em livros:
Debalde: Que não apresenta resultado; que ocorre em vão; sem utilidade; inutilmente.
Rapaces: Que rouba, rapinante. / Que persegue a presa afincadamente: o abutre é rapace. (Diz-se das aves de rapina.) / Fig. Ávido de lucro: usurário rapace. / O mesmo que rapaz.
Expressões que abichanam um leitor em Prometeu Acorrentado
Prometeu:
"Sou o inimigo de Zeus, o que atraiu sobre si o ódio de todos os que frequentam a sua mansão, por ter amado demasiado os homens."
P. 21
Oceano para Prometeu:
"Não sabes acaso, oh Prometeu, que para a doença do ódio existe a medicina das palavras?"
P. 27
Prometeu:
"Que pode temer aquele a quem não é dado morrer?"
P. 43
"Sou o inimigo de Zeus, o que atraiu sobre si o ódio de todos os que frequentam a sua mansão, por ter amado demasiado os homens."
P. 21
Oceano para Prometeu:
"Não sabes acaso, oh Prometeu, que para a doença do ódio existe a medicina das palavras?"
P. 27
Prometeu:
"Que pode temer aquele a quem não é dado morrer?"
P. 43
Prometeu Acorrentado agora a sério
A peça de Ésquilo conta-nos a história de um deus que se enamorou pelos mortais e, por isso, sofreu às mãos dos imortais.
Para nós, que vivemos sob a luz de uma tradição judaico-cristã, não conseguimos ler este clássico sem fazer a ponte entres as concepções dos Antigo e Novo Testamentos; entre o Deus impositivo, alheio e de certa forma distante dos mortais, e o Deus misericordioso, próximo e personificado na figura do seu filho.
Na peça, Zeus é esse deus distante e Prometeu o misericordioso, o qual rouba o fogo dos deuses para facilitar a vida aos efémeros. Prometeu é também a ponte, o que aproxima o divino do profano, não com crenças mas com práticas.
No fundo, o que Prometeu oferece é a tangibilidade da religião, sem imposições imateriais nem irracionalismos.
Para nós, que vivemos sob a luz de uma tradição judaico-cristã, não conseguimos ler este clássico sem fazer a ponte entres as concepções dos Antigo e Novo Testamentos; entre o Deus impositivo, alheio e de certa forma distante dos mortais, e o Deus misericordioso, próximo e personificado na figura do seu filho.
Na peça, Zeus é esse deus distante e Prometeu o misericordioso, o qual rouba o fogo dos deuses para facilitar a vida aos efémeros. Prometeu é também a ponte, o que aproxima o divino do profano, não com crenças mas com práticas.
No fundo, o que Prometeu oferece é a tangibilidade da religião, sem imposições imateriais nem irracionalismos.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Prometeu Acorrentado contado noutra história
Esta é a história de Heidi, uma supermodelo que optou por deixar de o ser.
No auge da sua fama e reconhecimento, Heidi retirou-se aos 19 anos.
Ser simetricamente bonita, de corpo perfeitamente torneado - a "deusa das passereles" - não se conjugava com a sua procura de anonimato; não o dela mas o dos outros. E foi por isso que se retirou, farta dos seus pares gozarem com os seus anónimos namorados; farta dos seus relacionamentos não corresponderem às expectativas dos 'Adónis' com quem trabalhava. No fundo, o que os outros diziam não lhe importava; temia pelos seus anónimos; que o amor que lhes tinha não podia ter qualquer ruído.
E assim fez.
Já no anonimato encontrou um local que lhe sentiu como sendo o seu paraíso. Tratava-se de uma sala repleta de cadeiras, onde se reuniam semanalmente os alcoólicos anónimos. Era perfeito: ninguém era ninguém; todos eram o seu vício.
Foi aqui que conheceu Marco, um ex-Navy Seal, veterano da primeira guerra do Iraque, que havia afogado o síndrome pós-traumático na companhia do dr. Jack e do sr. Daniels. Quando conheceu Heidi, estava em fuga dos seus companheiros pela oitava vez.
Sem descrições de como se desenrolou o seu relacionamento, até porque o fizeram sempre dentro de portas e de fechadura trancada, depressa deixaram entrar também os antigos companheiros de Marco.
Para a ex-deusa das passereles era o início do seu suplício. Habituada durante anos a alimentar-se através de fotossíntese, o dr. Jack e o sr. Daniels provocaram-lhe dores e danos irreparáveis no fígado.
Hoje, pouco sabemos dela. A última vez que a vimos foi à porta de uma reunião dos alcoólicos anónimos.
O seu paraíso.
O seu anonimato.
No auge da sua fama e reconhecimento, Heidi retirou-se aos 19 anos.
Ser simetricamente bonita, de corpo perfeitamente torneado - a "deusa das passereles" - não se conjugava com a sua procura de anonimato; não o dela mas o dos outros. E foi por isso que se retirou, farta dos seus pares gozarem com os seus anónimos namorados; farta dos seus relacionamentos não corresponderem às expectativas dos 'Adónis' com quem trabalhava. No fundo, o que os outros diziam não lhe importava; temia pelos seus anónimos; que o amor que lhes tinha não podia ter qualquer ruído.
E assim fez.
Já no anonimato encontrou um local que lhe sentiu como sendo o seu paraíso. Tratava-se de uma sala repleta de cadeiras, onde se reuniam semanalmente os alcoólicos anónimos. Era perfeito: ninguém era ninguém; todos eram o seu vício.
Foi aqui que conheceu Marco, um ex-Navy Seal, veterano da primeira guerra do Iraque, que havia afogado o síndrome pós-traumático na companhia do dr. Jack e do sr. Daniels. Quando conheceu Heidi, estava em fuga dos seus companheiros pela oitava vez.
Sem descrições de como se desenrolou o seu relacionamento, até porque o fizeram sempre dentro de portas e de fechadura trancada, depressa deixaram entrar também os antigos companheiros de Marco.
Para a ex-deusa das passereles era o início do seu suplício. Habituada durante anos a alimentar-se através de fotossíntese, o dr. Jack e o sr. Daniels provocaram-lhe dores e danos irreparáveis no fígado.
Hoje, pouco sabemos dela. A última vez que a vimos foi à porta de uma reunião dos alcoólicos anónimos.
O seu paraíso.
O seu anonimato.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Arte de amar vai bem com
Sopa
Do que quiseres, baby!
Prato principal
Pode ser vegetariano, baby! Hoje escolhes tu.
Sobremesa
Se quiseres tenho um docinho em casa para ti, baby.
Bebida
Vinho rosé
Música de acompanhamento
Do que quiseres, baby!
Prato principal
Pode ser vegetariano, baby! Hoje escolhes tu.
Sobremesa
Se quiseres tenho um docinho em casa para ti, baby.
Bebida
Vinho rosé
Música de acompanhamento
Palavras em Arte de amar
Palavras que aprendi em Arte de amar:
Aduncar: Tornar(-se) adunco, ou recurvado, em forma de gancho.
Facúndia: s.f. Tendência para discursar; que discursa em público; que tem facilidade para falar em público; que demonstra eloquência; facundidade.
Fero: adj. Feroz, selvagem, rústico, bravio. Cruel, desumano, intratável. Violento, forte, impetuoso: o fero vento. Áspero, duro: a fera tuba. Carregado, torvo, severo: fero cenho. Sadio, rijo, vigoroso, férreo: fera compleição.
Férula: s.f. Botânica. Planta das regiões mediterrâneas, das quais uma espécie, originária do Irã, fornecia a assa-fétida, enquanto outras forneciam o galbano. Palmatória.
Relha: s.f. Parte do arado que abre o sulco na terra. Peça de ferro que reforça externamente as rodas dos carros de bois.
Aduncar: Tornar(-se) adunco, ou recurvado, em forma de gancho.
Facúndia: s.f. Tendência para discursar; que discursa em público; que tem facilidade para falar em público; que demonstra eloquência; facundidade.
Fero: adj. Feroz, selvagem, rústico, bravio. Cruel, desumano, intratável. Violento, forte, impetuoso: o fero vento. Áspero, duro: a fera tuba. Carregado, torvo, severo: fero cenho. Sadio, rijo, vigoroso, férreo: fera compleição.
Férula: s.f. Botânica. Planta das regiões mediterrâneas, das quais uma espécie, originária do Irã, fornecia a assa-fétida, enquanto outras forneciam o galbano. Palmatória.
Relha: s.f. Parte do arado que abre o sulco na terra. Peça de ferro que reforça externamente as rodas dos carros de bois.
Expressões que abichanam um leitor na Arte de Amar
Um dia no anfiteatro: espaço aprazível para conhecer mulheres e gajas:
"Se gostas de caçar,
é sobretudo nos anfiteatros
que a caça é abundante.
Oferecem-te os teatros
muito mais do que possas desejar.
Aí encontrarás
desde o divertimento inconsequente
à mulher a quem amas realmente,
desde a amada que desejas conservar
àquela a quem apalpas fugazmente."
p. 21
'Gold diggers' em Roma antiga:
"Sempre que a tua amiga fizer anos
observa o culto do seu aniversário.
Que esse importante dia
em que dar-lhe uma prenda é necessário,
seja um dia funesto para ti.
Por mais que te defendas,
um presente qualquer há-de arrancar-te:
de se apossar da riqueza do amante
inventou a mulher a consumada arte."
pp. 41-42
Um homem quer-se embrutecido:
"Oh! Não frises com ferro os teus cabelos
com a pedra pomes as pernas não depiles.
Esses cuidados deixa àqueles que com vivos
à moda frígia a Cibele rendem culto.
Convém aos homens a beleza descuidada."
p. 47
O que deves beber para ela não se aproveitar de ti:
"Vou agora indicar-te
a exacta medida que bebendo
deves observar.
Possam a mente e os pés
suas funções desempenhar;
o vinho, os combatentes estimula
e as mãos prepara para brigas cruéis."
p. 52
Opinião de nicho acerca do acto que se descreve de seguida:
"A mulher violada por um rapto insolente
torna a violação como um doce presente."
p. 57
O cérebro feminino aos olhos de um troglodita:
"Reconheço que existem mulheres cultas
mas são tão pouco numerosas...
As outras da cultura que não têm
a arte têm de a representar."
p. 84
"Se gostas de caçar,
é sobretudo nos anfiteatros
que a caça é abundante.
Oferecem-te os teatros
muito mais do que possas desejar.
Aí encontrarás
desde o divertimento inconsequente
à mulher a quem amas realmente,
desde a amada que desejas conservar
àquela a quem apalpas fugazmente."
p. 21
'Gold diggers' em Roma antiga:
"Sempre que a tua amiga fizer anos
observa o culto do seu aniversário.
Que esse importante dia
em que dar-lhe uma prenda é necessário,
seja um dia funesto para ti.
Por mais que te defendas,
um presente qualquer há-de arrancar-te:
de se apossar da riqueza do amante
inventou a mulher a consumada arte."
pp. 41-42
Um homem quer-se embrutecido:
"Oh! Não frises com ferro os teus cabelos
com a pedra pomes as pernas não depiles.
Esses cuidados deixa àqueles que com vivos
à moda frígia a Cibele rendem culto.
Convém aos homens a beleza descuidada."
p. 47
O que deves beber para ela não se aproveitar de ti:
"Vou agora indicar-te
a exacta medida que bebendo
deves observar.
Possam a mente e os pés
suas funções desempenhar;
o vinho, os combatentes estimula
e as mãos prepara para brigas cruéis."
p. 52
Opinião de nicho acerca do acto que se descreve de seguida:
"A mulher violada por um rapto insolente
torna a violação como um doce presente."
p. 57
O cérebro feminino aos olhos de um troglodita:
"Reconheço que existem mulheres cultas
mas são tão pouco numerosas...
As outras da cultura que não têm
a arte têm de a representar."
p. 84
Arte de amar agora a sério
Quando um livro que pretende fomentar os relacionamentos entre homens e mulheres não é um livro de diálogo.
Trata-se sim de um tratado sociológico idealista, em que as pessoas devem asumir e ler comportamentos, de modo a discernir vontades e predisposições.
Não se trata de um livro que fale de individualismos mas de colectivos. Não trata o que: acontece mas o que deve acontecer; se diz mas o que se deve dizer; se faz mas o que se deve fazer.
Assim sendo funciona como um molde, mais do que observação da realidade; como o império espera que os géneros se comportem.
Trata-se sim de um tratado sociológico idealista, em que as pessoas devem asumir e ler comportamentos, de modo a discernir vontades e predisposições.
Não se trata de um livro que fale de individualismos mas de colectivos. Não trata o que: acontece mas o que deve acontecer; se diz mas o que se deve dizer; se faz mas o que se deve fazer.
Assim sendo funciona como um molde, mais do que observação da realidade; como o império espera que os géneros se comportem.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





