O Farol de Lubumbashi

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Gilgamesh vai bem com

Apesar de ser uma história de 'reis', o livro tem um tom bastante rural e selvagem, daí a minha proposta:

Sopa
Come-a tu, seu maricas!

Prato principal
Favas com enchidos vários
Pernil de javali assado com alecrim

Bebida
Cerveja artesanal em copo de barro

Música de acompanhamento
 

Palavras em Gilgamesh

Palavras que aprendi com Gilgamesh:

Jactância: s.f. Comportamento de quem age com arrogância.
                 Ação ou hábito de se gabar: falar com jactância.
                 Aspiração de valentia, coragem, conduta de quem vive a contar fanfarrices.
Aguilhão: s.m. Ponta de ferro, fixada na extremidade de um bastão, para picar os bois.
                 Zoologia. Designação comum de ferrão.
                 Figurado. Tudo aquilo que incita a agir; estímulo: a glória é um poderoso aguilhão.
                 Figurado. Sofrimento pungente.

Palavra que está presente em Gilgamesh e que gosto de ver em livros:

Libação: s.f. Ação ou efeito de libar (beber).
               Que se baseia na ação de aspergir ou de oferecer um líquido a uma divindade.
               Ação de ingerir bebidas alcoólicas, geralmente para brindar, por deleite e/ou por prazer.
               Essa bebida e/ou esse líquido.

Gilgamesh agora a sério

Bem sei que foi há muito tempo, mas vamos lá tirar o mamute do meio da sala.
Gilgamesh é um plágio.
É um pré-plágio.
É um pós-plágio.
Gilgamesh, duas partes deus, uma parte homem, vivia no mundo como se mais ninguém existisse. Ao seu aborrecimento, os deuses responderam-lhe com a criação de um parceiro. Enkidu, feito à sua medida e semelhança.
Os deuses comandam o destino. Para eles: a vida; para os homens: a morte. Comunicam os seus desígnios aos mortais através de signos, os quais são transportados pelos sonhos.
Aos dois companheiros urge a aventura. Gilgamesh e Enkidu buscam a glória eterna.Querem que a história, mais eterna que a vida, prolongue os seus feitos. Apenas um retornará.
Esta mania que os deuses têm de controlar da vida e da morte, Gilgamesh sabe-o bem. Ainda se lembra que já haviam estado desavindos com os humanos. E o que é fizeram? Lançaram um dilúvio sobre a Terra e a vida sobre ela desapareceu.
Mesmo assim, Gilgamesh procura a eternidade: já não a da glória, mas a da carne. E encontra-a sob a forma de uma flor, que ele tenta transportar para o seu reino. Gilgamesh sucumbe aos apetites de um banho e a flor é-lhe sonegada por uma serpente. A sua eternidade por um banho.
Onde é que eu já ouvi isto depois?
Ou foi antes?
A epopeia de Gilgamesh é um texto sul-babilónico. Porém, existe um anterior, com o mesmo título, do período sumério. Não é exactamente igual. Pelo menos, penso que não, que o meu sumério está tão enferrujado como o meu islandês. Mas há quem diga que não e, como não encontrei ninguém que dissesse que sim, eu também acho que não. O babilónico aproveita os temas sumérios, acrescenta uns, retira outros e, sobretudo, torna-o uniforme.
Ademais, se os babilónios o quitaram aos sumérios, por mim tudo bem e poderá dever-se a dois pontos:
  • O texto foi escrito em tabuinhas de argila. Logo, não deveriam existir muitos exemplares, se é que existiam em plural. O gatuno poderá ter sonegado o exemplar, ter feito uma cópia, dar a sua autoria e ter convertido o original em potes.
  • O séc. XVIII a.C. não é muito conhecido (se é que o é por alguma coisa) pelo cuidado na legislação em relação aos direitos de autor. Tanto não o é, que o texto que chegou até nós entra na categoria de autor 'anónimo'. Na verdade, mais vale. Estamos numa época em que ainda não haviam sido inventados os pseudónimos e, segundo reza a lenda, o Gilgamesh terá tido várias versões: a primeira com traços orais e as seguintes atribuídas a tipos com estes nomes: Sinliqiunnini e Nabuzuqupkena. Resultado: mais vale a pena ser anónimo. Quem é que consegue dizer Sinliqiunnini? Ora digam lá cinquenta vezes seguidas. E Nabuzuqupkena? Ah, pois é! Eu também considero que o texto é anónimo. 
O pré e o pós fazem parte de Gilgamesh. Gilgamesh, na verdade, não é em si pré e pós: contém em si o pré e o pós. Gilgamesh este entre estes dois pontos; no início, no meio e no fim; no centro daquilo a que podemos chamar o início da literatura mundial.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Resumo de Gilgamesh contado noutra história

Em Gilgamesh, estamos na infância da literatura mundial.


Há muito, muito, mesmo muito... há bué, vá!, de tempo, no reino antigo de Uruk que, quem vai daqui, só tem que ir a direito pela Nacional 1 e sair na terceira saída da 1034ª rotunda, vivia o rei Gil, a quem todos temiam.
Na verdade, ele não era verdadeiramente rei, mas era assim que exigia ser tratado. Exigia, porque podia.
Gil era um magano que dominava o recreio da sua escola. Um domínio que era exercido pelo terror e possibilitado pelo seu tamanho e força: inigualáveis.
Nesta altura, ainda não existia futebol e o desporto que Gil praticava era a violação de meninas; por aborrecimento, nunca por deleite.
Ora, vá-se lá saber porquê, as outras crianças do recreio, bufas, decidiram fazer queixa dele à administração escolar. Diga-se que os membros da direcção da escola, por medo de Gil, comportavam-se como uma espécie de deuses: longe da vista.
Perante tantas queixas, a direcção toma uma decisão salomónica: dividir o terror. Em vez de um protagonista a espalhar medo, devia haver dois protagonistas que o fizessem. Melhor: o segundo protagonista devia ser um equivalente de Gil, igual em força.
É assim que surge Kid, que tinha, para espanto de todos, não só uma força equiparável à de Gil mas, também, a mesma fisionomia.
Constava-se que Kid havia sido abandonado em criança e, qual Tarzan, criado por criaturas selvagens. Foi resgatado da selva pelos membros da direcção da escola, que o aliciaram com favores sexuais. Consta-se também que o seu corpo era coberto por uma camada espessa de pêlo, a qual caiu aquando da execução dos ditos favores. Não se preocupem que, mal acabe de contar esta história, eu próprio aviso o protagonista Kid para consultar um especialista.
Gil e Kid avistaram-se pela primeira vez no recreio. Antes que pudessem sequer vislumbrar que eram em tudo semelhantes, decidiram conhecer-se através do toque secreto dos rufias: à pancada.
Como se dirime uma luta entre dois protagonistas iguais?
Iguais na fisionomia, na força, na vontade e na estupidez.
Não se pode.
Pois o empate a que se assiste, provoca neles um novo sentimento: o de invencibilidade conjunta.